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Quarteto de Brasília - 25 Anos


quarteto de brasilia-A primeira apresentação, em público, do Quarteto de Brasília, deu-se no dia 3 de abril de 1986, no auditório do Conjunto Cultural da Caixa Econômica, em Brasília.
Nesses seus 25 anos de existência, firmou-se como o Quarteto brasileiro por excelência. Suas gravações com obras de Henrique Oswald, Villa-Lobos, Carlos Gomes, Osvaldo Lacerda, José Guerra Vicente e César Guerra-Peixe, bem como os dois CDs de MPB, são referências indispensáveis.
Na sua trajetória de concertos, o Quarteto de Brasília esteve presente a eventos realizados em várias cidades do Brasil, tais como: Brasília, Rio de Janeiro, Niterói, Petrópolis, Teresópolis, Friburgo, São Paulo, Belo Horizonte, Sabará, Tiradentes, Juiz de Fora, Uberaba, Uberlândia, Goiânia, Pirenópolis, Recife, Olinda, Manaus, Curitiba, Florianópolis, Itajaí, Jaraguá do Sul, Blumenau, Cuiabá, João Pessoa, Rio Branco, Londrina, Ourinhos, Itú, Piracicaba, São João Del Rei, dentre outras.
As principais atuações no exterior foram: Em 1987 - Comemorações do centenário de nascimento de Villa-Lobos, com concertos em Detmold, Manheim e Heidelberg, na Alemanha; Toulouse e Montpelier, na França. Em 1989 - Participação no programa Partners of America, com apresentações em Washington DC., Annapolis, Baltimore e Reston, nos EUA. Em 1994 - Turnê pela América do Sul, com recitais na Argentina, Uruguai e Paraguai. Em 1995 - Concerto no Teatro Colón, em Buenos Aires e na cidade de Córdoba, Argentina. Ainda em 1995 - Turnê pela Ásia, numa série de concertos no Japão, China e Malásia. Em 2008, participou do “VIII Festival de Música Clássica”, em Manágua, Nicarágua. Em 2009, dentro das homenagens ao cinqüentenário de falecimento de Villa-Lobos, apresentou-se na Kulturhaus de Zurich, Suíça.
Em Brasília, o Quarteto esteve presente às Noites Culturais do T-Bone, na SQN 312, onde, inclusive, lançou um de seus CDs. Esse fato teve repercussão até no Programa do Jô, da Rede Globo.
Tocou na posse do presidente Lula, no Palácio Alvorada; no Clube do Choro; na Casa Thomas Jefferson; nas Salas Martins Pena, Alberto Nepomuceno e Villa-Lobos do Teatro Nacional, no CCBB, no Conjunto Cultural da Caixa Econômica, no SESI, no SESC, na UnB, na Universidade Católica, na Sala Funarte, bem como nas cidades satélites.
Em 2009 tocou na Sala Villa-Lobos, em Brasília, com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, o “Concerto Grosso” para quarteto de cordas e orquestra, do compositor Cláudio Santoro e apresentou no SESC Pinheiros, em São Paulo, um programa totalmente dedicado a autores brasileiros.
Ainda em 2009, tocou na Noite Cultural do T-bone, em Brasília, em programa conjunto com a Orquestra Filarmônica de Viena.
Em 2010, realizou uma turnê de concertos por 85 cidades brasileiras, dentro do projeto Sonora Brasil, do SESC.
O Quarteto de Brasília esteve sempre preocupado com o registro fonográfico. Assim é que, nesses 25 anos, gravou nove CDs:
1- "Quarteto de Brasília" série Régia Música - Edições Paulinas.
2- "Clássicos da MPB" - Edições Paulinas.
3- "Quarteto de Brasília 10 anos" - Edições Paulinas.
4- "The Flute Quartets" - Estúdio GLB.
5- "Brasil 500 anos" - Minc/GLB.
6- "Turíbio Santos & Quarteto de Brasília" - Estúdio GLB.
7- "Glinka e Arthur Bliss" – Estúdio GLB.
8- "Quarteto de Brasília 17 anos" - Minc/GLB.
9- “Nacionalistas” – Estúdio GLB
Como reconhecimento pelo seu trabalho, o Quarteto de Brasília recebeu importantes premiações:
1- 1993 - "VII Prêmio Sharp de Música" - melhor CD de música erudita.
2- 1995 - "Prêmio OK de Cultura" - Conjunto de maior destaque em Brasília.
3- 2001 - "Comenda da Ordem do Mérito Cultural do Distrito Federal".
4- 2004 - "Prêmio Carlos Gomes " - melhor grupo de câmara, no Brasi, em 2004.
O Quarteto de Brasília é integrado por :
LUDMILA VINECKA - 1 violino ; CLAUDIO COHEN - 2 violino ; GLÊSSE COLLET - viola ; GUERRA VICENTE - violoncelo

Caso de Orquestra : Um espirro em Mozart

Poucas aberturas tem idéias melódicas tão felizes e vibrantes como ‘As Bodas de Figaro’ de Mozart. Agilidade e simetria apresentadas por um desenho que todas as cordas executam em semicolcheias, ornamentando o acorde da tonalidade da obra: Ré Maior. Tudo com uma lógica de discurso impecável —  não dá para tirar uma nota, parece Caymmi.
De repente, um espirro. Isso mesmo, uma fatalidade, alguém espirrou bem na hora da breve pausa entre uma frase e outra. Os músicos, mesmo ocupados em executar dedilhados e arcadas precisas, se entreolharam para descobrir de onde havia partido o ruído intruso.
Vinha do lado dos segundos violinos, aquela seção que fica à esquerda do spalla, o violino principal, e ao mirar o maestro com o canto do olho — arte que define um bom músico de orquestra —, todos perceberam que as bochechas tremelicantes do famoso regente estavam mais tremelicantes que nunca.
Poderia aqui abrir um parêntesis para instituir um concurso de adivinhação — qual o maestro brasileiro de bochechas mais tremelicantes? — e teríamos que discutir e entender a função e os diversos tipos de estertores expressivos dos titulares da batuta, que vão desde os meneios de cabeça, os ricolchetes de cabeleira, os tremeliques de braço, até certas coreografias pouco ortodoxas de pança e quadris.
Os próprios músicos, que em geral amam e odeiam seus maestros, lembram que nos ensaios diários, a ocorrências dos tais tremeliques chega praticamente a zero. Pra que servem então, são apenas jogo de cena? Outros, por sua vez, reconhecem que durante a performance a música invade o maestro, e seu corpo simplesmente responde ao enfrentamento, para encantamento de todos.

O Maestro e o Palavrão

Aconteceu em 1954, num concerto com obras e regência de Assis Republicano (1897-1960). Série oficial. Nos ensaios, o pratista (músico que toca pratos na percussão que se localiza no fundo da orquestra) não conseguia acertar. Tinha que contar tantos compassos e esperar pra dar só aquela pancada...
Nervoso, o Maestro pára o ensaio e recomenda:
- Olha aqui, meu filho. Não precisa você contar não! Quando eu der um
sinal assim pra você (faz o gesto com o braço direito apontando para
ele) aí você, com toda força, bate os pratos. Combinado?
- Combinado, Maestro.
- Senhores, da capo.

O ensaio geral correu às mil maravilhas. Gesto firme do Maestro. Efeito de pratos correto.
Dia do Concerto. Sexta-feira. O Salão Leopoldo Miguez estava lotado.
Durante o intervalo, para melhor acomodação, um dos flautistas puxou a
cadeira um pouco para a direita, ficando quase na direção da percussão.

Os acordes iniciais da segunda parte do programa foram vibrantes.
Aproxima-se a hora de um solo de flauta. O Maestro se prepara. Dá o
sinal. Armado com os pratos, o desastrado músico, achando que era sua
vez... ataca: PXXXXX...

Todo o Rio de Janeiro ouviu o grito de desespero do Maestro:
- AGORA NÃO, FILHO DE UMA PUTA!...

( enviada por Edson Frederico )

O Examinador de Partituras

Careca a Yull Bryner, cara bem escanhoada, altura mediana, limpo e bem vestido. FAL, professor da Escola de Música da UFRJ e do extinto Conservatório de Canto Orfeônico. Almofadinha.
O professor FAL foi convidado pela municipalidade para dar um Curso de Mestre de Banda. A divulgação não foi grande coisa mas, assim mesmo, o curso teve ótima aceitação no meio profissional.
FAL era conhecido como o professor que tratava a música como ciência exata. O uso constante da tábua de logarítimos para se encontrar tal ou qual frequência do som ou de seu harmônico era uma chatice . Ainda bem que tínhamos compensações :
ouvir os trabalhos de orquestração examinados por Assis Republicano e as estórias que o próprio FAL nos contava :
"O Villa, de quando em quando, pedia para que eu desse uma" examinada" em certas partituras suas.
Um dia, ele me entregou uma dizendo : FAL, examina isso aí.....
Levei pra casa o original, para no fim de  semana "estudar" .
Tempos depois, observei que a harpa tinha um acorde diferente do da orquestra.
Ligo para o Villa:
- Alô, o Maestro Villa-Lobos?
- Quem deseja falar?
- FAL.
- Um momentinho por favor.
Alguns segundos depois...
- Alô FAL! Aqui é o Villa!
- Oh, Villa, estava vendo a partitura que você me deu para examinar, e lá, mais ou menos no meio, a orquestra está com um acorde e a harpa com outro.. Será que é isso mesmo que você quer?
- Ô FAL, não é no tutti?
- É.
- Não está toda a orquestra tocando em fortíssimo?
- Está.
- E então! FAL... quem é que vai ouvir a harpa, meu filho!"
Divertimento para Orquestra - Nelson Macedo
( enviada por Edson Frederico )