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MÚSICA ANTIGA - DE 1000 À 1600


A evolução da música antiga ao longo do período de 1000 a 1600 foi um processo complexo e fascinante, marcado por mudanças significativas em estilos, formas e influências. Para entender melhor essa evolução, podemos dividi-la em três grandes períodos: a Idade Média, o Renascimento e a transição entre esses dois períodos.

1. Idade Média (1000-1400):

A Idade Média musical compreende a maior parte do período do ano 1000 à 1400 e foi caracterizada por uma forte influência da Igreja Católica e da liturgia religiosa. Nesse período, a música era predominantemente vocal e monofônica, o que significa que havia uma única linha melódica sem harmonia.

    O Canto Gregoriano (1000-1300): Durante os primeiros séculos, o canto gregoriano, também conhecido como canto litúrgico, foi a forma dominante de música sacra. Ele se caracterizava pela simplicidade das melodias, que eram usadas nas cerimônias religiosas.Ligada à forma como as comunidades cristãs primitivas oravam e meditavam , ele tem um significado mais além de "gênero musical", o Canto Gregoriano pode ser chamado de "oração" .  

    A Polifonia Medieval (1100-1300): No final da Idade Média, a polifonia começou a se desenvolver. Isso envolveu a sobreposição de várias vozes melódicas, criando harmonias simples. Compositores notáveis, como Léonin(Leoninos) e Perotin(Perotinus Magnus), ambos franceses, contribuíram para o desenvolvimento da polifonia. No séc.13, um amplo repertório polifônico era encontrado nas maiorias das igrejas da Europa, e formas seculares de música também eram compostas em várias partes.

    A Ars Nova (século XIV): O movimento Ars Nova trouxe inovações na notação musical e na complexidade rítmica. Guillaume de Machaut é um exemplo notável de compositor dessa era.

2. Renascimento (1400-1600):

O Renascimento musical trouxe uma mudança significativa na abordagem da música em relação à Idade Média. Houve um aumento na complexidade harmônica e rítmica, bem como uma maior ênfase na expressão emocional.

    Música Secular e Profana: Além da música sacra, o Renascimento viu o florescimento da música secular. Compositores como Josquin des Prez, Thomas Tallis e Palestrina criaram madrigais, canções e motetos que abordavam temas profanos e amorosos.

    Inovações Técnicas: Durante esse período, a invenção da imprensa de Gutenberg facilitou a disseminação da música impressa, tornando-a mais acessível.

    Música Instrumental: A música instrumental começou a ganhar destaque, com o surgimento de instrumentos como o alaúde, a viola da gamba e o cravo. Isso contribuiu para o desenvolvimento da música de câmara e da música para teclado.

    Harmonia e Textura: A harmonia e a textura polifônica se tornaram mais sofisticadas, com compositores explorando diferentes técnicas de contraponto e dissonância.

3. Transição (1400-1600):

O final da Idade Média e o início do Renascimento representam uma fase de transição, onde elementos da música medieval e renascentista coexistiram.

    Estilo Franco-flamengo: Compositores como Johannes Ockeghem e Guillaume Dufay estavam ativos nesse período e incorporaram tanto características medievais quanto renascentistas em suas obras.

A música antiga, ao longo desse período, demonstrou uma evolução notável, passando de uma tradição predominantemente litúrgica e monofônica para uma tradição mais diversificada, complexa e secular, que estabeleceu as bases para o desenvolvimento da música ocidental nos séculos seguintes.
Essa evolução reflete não apenas mudanças musicais, mas também as transformações sociais, culturais e religiosas que ocorreram durante esse longo período da história da música.


MÚSICA ANTIGA - O MOTETO :

 O moteto foi uma das formas sacras mais importantes durante a idade média tardia, abrindo caminho para a estrutura polifônica da música sacra.

Origens do Moteto:

    O moteto tem suas raízes nos séculos XIII e XIV, surgindo como uma forma musical que incorporava texto litúrgico, especialmente textos religiosos em latim, como versos da Bíblia ou orações.

    Inicialmente, o moteto era monofônico, o que significa que havia uma única linha melódica. No entanto, ele evoluiu rapidamente para incluir múltiplas vozes, tornando-se uma das primeiras formas polifônicas da música ocidental.

Polifonia no Moteto:

    O moteto é notável por sua polifonia, onde várias vozes cantam melodias diferentes ao mesmo tempo. Isso proporcionou uma riqueza e complexidade musical anteriormente ausentes em obras litúrgicas.

    As vozes no moteto frequentemente cantavam em diferentes línguas e ritmos, sobrepondo-se de maneira harmoniosa e contrapontística. Isso adicionou uma camada adicional de significado e expressão à música.

Função e Conteúdo do Moteto:

    Os motetos eram frequentemente compostos para serem executados durante cerimônias religiosas, especialmente nas catedrais e igrejas da Europa. Eles eram usados em ocasiões importantes, como festas religiosas e missas solenes.

    Os textos dos motetos geralmente eram escolhidos com base em temas religiosos, mas também podiam incluir referências a eventos históricos, literatura ou mesmo sátiras sociais. Isso tornou os motetos versáteis em sua capacidade de transmitir mensagens e emoções variadas.

Desenvolvimento e Variação:

    Ao longo do tempo, o moteto se diversificou em várias escolas regionais, cada uma com suas características distintas. Por exemplo, a Escola de Notre-Dame, em Paris, contribuiu para a evolução da notação musical e da polifonia no moteto.

    O moteto também experimentou uma expansão rítmica e melódica à medida que novas técnicas musicais eram desenvolvidas. Compositores como Guillaume de Machaut e Guillaume Dufay contribuíram para a evolução dessa forma musical.

Em resumo, o moteto desempenhou um papel crucial na história da música sacra durante a Idade Média tardia, sendo um dos primeiros exemplos significativos de polifonia na música ocidental. Sua complexidade musical e capacidade de transmitir uma ampla gama de conteúdos e emoções fizeram dele uma forma musical duradoura que continuou a evoluir e influenciar a música sacra e secular nos séculos subsequentes.

MÚSICA ANTIGA - O MADRIGAL :

 

 Durante o século XVI, houve um aumento significativo no status e na documentação da música instrumental, além do florescimento de novas formas de música secular, como o madrigal. Isso marcou uma mudança importante em relação à Idade Média, onde a música instrumental era menos valorizada e menos documentada.  Alguns pontos-chave sobre essa evolução:

1. O Madrigal:

    O madrigal foi uma forma de música vocal secular que se tornou muito popular durante o Renascimento, especialmente na Itália. Consistia em música para vozes a cappella, frequentemente com letras que exploravam temas amorosos e poéticos.

    Compositores como Giovanni Pierluigi da Palestrina e Orlando di Lasso contribuíram para o desenvolvimento do madrigal, criando peças emocionais e sofisticadas que conquistaram a elite culta da época.

    O madrigal tornou-se uma forma importante de expressão artística e foi amplamente impresso e distribuído, permitindo que um público mais amplo tivesse acesso à música.

2. Música Instrumental em Ascensão:

    Durante o Renascimento, houve uma crescente valorização da música instrumental. Os instrumentos como alaúdes, violas da gamba, flautas e cravos ganharam destaque.

    Os compositores começaram a escrever música especificamente para instrumentos, criando peças conhecidas como "música instrumental" ou "peças para teclado". Isso marcou o início do desenvolvimento da música instrumental como uma forma independente.

    Músicos de câmara e virtuoses instrumentais ganharam reconhecimento, e suas performances se tornaram apreciadas em cortes e entre a elite.

3. Importância da Notação Musical:

    A notação musical desempenhou um papel crucial na documentação e disseminação da música instrumental e vocal. O desenvolvimento de notações mais avançadas e precisas tornou mais fácil escrever e compartilhar música.

    A invenção da imprensa de Gutenberg no século XV tornou a música impressa mais acessível, permitindo a produção em larga escala de partituras musicais.

4. Compositores Instrumentais Notáveis:

    Compositores como Tielman Susato, Michael Praetorius e John Dowland se destacaram na criação de música instrumental durante o Renascimento, contribuindo para o repertório de danças, fantasias e peças instrumentais.

    A música instrumental frequentemente refletia a influência das danças populares da época, como pavanas, galliards e courantes.

 O século XVI marcou uma transformação na música ocidental, com a ascensão do madrigal como uma forma vocal secular de destaque e o florescimento da música instrumental. A documentação e a valorização da música instrumental cresceram significativamente nesse período, ajudando a pavimentar o caminho para o desenvolvimento posterior da música instrumental nos períodos barroco e clássico. Também viu o surgimento de compositores notáveis que deixaram um legado duradouro na música ocidental.

Música Antiga – 1000 a 1600

musicantiga Quando falamos de arquitetura, pintura e escultura, podemos afirmar que o Renascimento teve seu início na Florença do séc. XV. Mas, a passagem da música da Idade Média para a do Renascimento é mais complexa e difícil de identificar, pois os estilos musicais da época desenvolveram-se muito lentamente e de diferentes formas pela Europa. Através de obras de compositores influentes como Guillaume Dufay e Josquin Des Près é possível notar como eles mudaram, consideravelmente, o estilo musical no fim do séc. XV e início do séc. XVI, de modo que em, aproximadamente, 1450 podemos separar a música medieval da renascentista, considerando que a música renascentista se estende até Monteverdi e seus contemporâneos com os novos gêneros "barrocos" de ópera.
A música que sobreviveu sofreu forte influência para o sagrado, como prova o cantochão, o tipo mais comum de música sacra durante esse período, e que era entoado em todas as igrejas, mosteiros, catedrais e capelas. Desenvolvida ao longo desse período, a música secular monofônica só foi preservada em compilações escritas a partir do séc. XII. Os compositores mais famosos eram trovadores e bardos da França medieval. Pouco se sabe como era interpretada, talvez, acompanhada por uma "viela", instrumento precursor do violino. As formas polifônicas (muitas vozes) dessas composições, apareceram, aproximadamente, no séc. XII nas igrejas, com os cantores improvisando sobre o cantochão e adicionando outras partes vocais em ocasiões especiais, como Natal e Páscoa. Compositores como Léonin e Pérotin da Notre Dame de Paris, são tidos como autores do primeiro livro de música em duas, três e quatro partes, a circular em forma manuscrita. Já no séc. XV, a música polifônica havia se propagado, passando a integrar celebrações religiosas importantes.
O moteto foi uma das formas sacras mais importantes durante a Idade Média, abrindo caminho, gradualmente, para a estrutura polifônica, tendo florescido no séc. XIII no norte da França.
Já na Renascença, a música instrumental alcança outro status, sendo mais registrada que na Idade Média. A música vocal era escrita nas línguas vernáculas e, em geral, tinha um tema amoroso. O madrigal floresceu no séc. XVI.
A Reforma Protestante do séc. XVI teve um grande impacto na música, em parte, porque os reformadores destruíram o máximo possível de composições católicas, substituindo-as por estilos novos e diretos. A polifonia mais simples do pós Reforma envolveu o canto harmônico direto, com todas as vozes deslocando-se ao mesmo tempo. Outras formas polifônicas eram contrapontísticas. O contraponto tornou-se um aspecto típico da música sacra da Idade Média tardia e do Renascimento.

Escolas Musicais Nacionalistas – 1830 – 1950



Durante o séc. XIX e até o inicio do séc. XX, à medida que os Estados– nações – iam surgindo, a música vai-se transformando em um veículo de afirmação nacional para vários artistas. A música passa a refletir, também, o espírito de seus países ou regiões de origem.
Grande parte da música do classicismo e do barroco possui um estilo que não pode ser facilmente classificado como de um único país; os estilos e formas são internacionais. No entanto, no séc. XIX os músicos começaram a se definir em termos de nacionalidade, e nos estilos ou gêneros das suas obras.
No sec. XIX a política européia era dominada pelos movimentos nacionalistas. Havia países cujos povos eram unidos por uma língua comum, como Itália e Alemanha, cuja meta era formar um Estado – nação – autônomo, enquanto outros povos – húngaros, tchecos e irlandeses – eram dominados por estrangeiros e buscavam a independência. A música, ao lado da língua e da literatura, torna-se um veículo para suas aspirações. Um exemplo de nacionalismo musical surgido num país não governado por um império opressor seria a Rússia. Ela era, em si, um grande império, mas historicamente, sentia-se inferior à Europa Ocidental em matéria de cultura. A música européia foi importada para a Rússia por e para a aristocracia e a única música autenticamente russa era a de tradição popular.
Nacionalismo Russo
O grande catalisador da mudança na Rússia foi Mikail Glinka. Sua ópera “Uma Vida pelo Czar” lembrava Rossini no estilo, mas evocava as melodias folclóricas russas que ele escutara na infância. Em meados do século XIX, com o surgimento do “Grupo dos Cinco” liderado por M. Balakirev e tendo M. Mussórgsky, César Cui, N. Rimski-Korsakov, e A. Borondin como os outros membros, o nacionalismo russo torna-se radical. Balakirev compôs um poema sinfônico, ”Rússia”, e Borodin compôs “Na Àsia Central”. Mussórgsky, não era um músico, formalmente, treinado e, sem muita familiaridade com as progressões harmônicas ocidentais, compôs música em que faz amplo uso de harmonias populares. O “Grupo dos Cinco” influenciou compositores que lhe sucederam como Glazunov, Sergei Prokofiev,Igor Stravinsky e Dmitri Shostakovich que, também, fizeram uso de melodias populares.
O Império Habsburgo
Compositores nacionalistas tchecos eram menos radicais nos sentimentos anti-ocidentais. Contudo, pretendiam afirmar sua diferença em relação ao Império Habsburgo austríaco que, ao dominar esse povo, queria suprimir a língua e a cultura tchecas. Compositores como Smetana, Dvorák e Janácek em muito contribuíram para o desenvolvimento do estilo musical nacional de seu país. Em seu Poema Sinfônico “Má Vlast”, Smetana não só descreve um retrato da paisagem tcheca, como também, faz uma evocação da cultura e da história do país. Já a situação musical húngara difere da tcheca na medida em que sua música folclórica já fora representada pelos compositores românticos como Liszt, Brahms e Joseph Joachim, mas apenas no séc. XX, é que Bartòk e Kodály começam a coletar música folclórica húngara e fazer uso dela de uma forma mais autêntica.
Os laços políticos e culturais entre os países germânicos e escandinavos eram tradicionais; o dinamarquês Niels Gade, por exemplo, passou um bom tempo estudando e depois regendo em Leipzig. Grieg, que também estudou em Leipzig cria uma arte musical, peculiarmente, norueguesa. As “Suítes Peer Gynt” foram compostas como música incidental para a peça de Ibsen sobre o aventureiro epônimo. Sibelius, na Finlândia, mostra música com tendências nacionalistas apenas quando cita a música folclórica finlandesa.
Na América, grande parte da arte musical do séc. XIX ignorou o material folclórico, embora a “Indian Suite” de MacDowell fizesse uso de melodias indígenas norte-americanas. Charles Ives, compositor mais caracteristicamente norte americano, nas suas citações musicais fornece um retrato bastante evocativo e peculiar de sua infância na Nova Inglaterra. Mais tarde, Aaron Copland cria uma música norte americana, facilmente, identificável, em parte, apropriando-se de estilos populares como o “hoedown” em “Appalachian Spring”.
No início do séc. XX, compositores como Granados e Albéniz na Espanha e Vaughan Williams na Inglaterra usam a música popular de seus países sob formas nostálgicas similares.

Música Moderna

4. Schoenberg.As tendências musicais que surgiram da primeira metade do século XX em diante são conhecidas como Música Moderna e possuem um caráter, quase exclusivamente, experimental. Entre essas tendências podemos incluir o “Impressionismo”, o “Expressionismo”, o “Dodecafonismo” e o “Atonalismo”.
Enquanto no Barroco e no Classicismo se valorizava a Estética e no Romantismo a expressão dos sentimentos, as tendências do Modernismo eram, especialmente, a inovação e a criatividade. E seu desenvolvimento inclui a música concreta, a música aleatória e o minimalismo, geralmente, classificados de vanguardismo ou pós-modernismo.
Na música erudita, o "movimento impressionista" teve início na segunda metade do século XIX e continuou até metade do século XX. Assim como nas artes visuais, ele se focaliza na sugestão, ao contrário do “Romantismo” que se focalizava na ilustração da história, na “Música de Programa”. O “movimento impressionista” surgiu como uma reação aos excessos da era “Romântica”. Enquanto no "período romântico" foi marcado um uso dramático do sistema das escalas maiores e menores, a "música impressionista" se caracteriza no uso das dissonâncias com escalas não muito comuns. Sua forma mais comum é a escala de tons inteiros, formada somente por intervalos de um tom entre as notas, a escala “hexafônica”, uma organização melódica formada por seis notas musicais que não possuem um formato absoluto de distribuição intervalar.
Enquanto os compositores românticos usaram formas longas de música, como a “Sinfonia” e o “Concerto”, os compositores impressionistas preferiram formas menores de composição.
Já a "música expressionista" caracteriza-se pela emotividade intensa, extremas dissonâncias, podendo ser atonal, não tendo uma tonalidade preponderante; dodecafônica, sistema dos doze sons, criada por Schoenberg em 1920 e/ou serial, atonal livre.
O “Dodecafonismo” é um sistema de composição atonal baseado no emprego livre dos doze sons da escala temperada, criado pelo compositor Arnold Schoenberg, sendo mais tarde ampliado por Pierre Boulez e Milton Babbitt, surgindo, assim, o serialismo integral, onde os parâmetros de duração, timbre, altura e intensidade são ordenados
segundo os critérios de Schoenberg. Seus principais compositores além de Schoenberg foram Alban Berg e Anton Webern, estes, formadores da "segunda escola de Viena".
Os principais compositores da "música atonal" foram Scriabin, Debussy, Béla Bartok, Hindemith, Prokofiev e Stravinsky entre outros.

O Romantismo

Franz_SchubertEntre o fim do século XVIII e o começo do século XIX, o rígido formalismo clássico estava em declínio, sem que, no entanto, nenhum outro estilo se pusesse à vista. Mozart havia sugerido novas concepções, mas, morreu sem enquadrá-las numa tendência definida. Era a fase hoje chamada de pré-romântica, na qual, a obra de Beethoven causaria um profundo impacto.
No Classicismo havia uma grande preocupação pelo equilíbrio entre a estrutura formal e a expressividade. Agora, os compositores buscavam uma maior liberdade da forma e uma expressão mais intensa e vigorosa das emoções, frequentemente, revelando seus sentimentos mais profundos. A palavra romantismo designa uma maneira de se comportar, de agir, de interpretar a realidade. Caracteriza-se pelo sonho, por uma atitude emotiva diante das coisas. Na música romântica ocorre a valorização da liberdade de expressão, das emoções e a utilização de todos os recursos da orquestra. A música e a arte em geral estavam se desligando do passado, deixando, aos poucos, os salões dos palácios e pondo-se mais ao alcance da nova classe social em ascensão, a burguesia, conquistando um novo público.
As primeiras evidências do romantismo na música apareceram com Beethoven. O racionalismo do século XVIII não afinava com a sua natureza e ele o deixou, gradativamente, para compor com liberdade, dando plena vazão ao seu temperamento.

O Classicismo

A "música clássica" corresponde a um período da história da Música Erudita composta no período do Classicismo que vai de 1750 a 1830.
É considerado o gênero "galante”. No século XVIII, a literatura e as artes plásticas já tinham abandonado o estilo barroco. Ainda por volta de 1735, o estilo dominante na Europa era o “Rococó”, derivado do estilo barroco.
O classicismo foi profundamente influenciado pelos ideais humanistas, que colocavam o homem como centro do universo. Reproduz o mundo real, mas, molda‐o de acordo com o que se considera ideal. As obras refletem princípios como harmonia, ordem, lógica, equilíbrio, simetria, objetividade e refinamento. A razão é mais importante que a emoção.
Os compositores classicistas não pretendiam que sua música fosse apenas "música para cantar a religião", ou "o amor", ou "o trabalho". O seu ideal estético era a perfeição da forma. As formas musicais do barroco não serviam como expressão à nova mentalidade. Eles, então, desenvolvem a Sonata Clássica (ou Sonata-forma) e a Sinfonia. Claro, muito antes do Classicismo, Domenico Scarlatti já havia esboçado as linhas gerais da sonata. Mas foram dois filhos de Bach - Johann Christian e Carl Philipp Emanuel - que a fizeram chegar à maturidade como gênero musical.
A sinfonia, por sua vez, também tinha sido esboçada por um Scarlatti: o pai de Domenico, Alessandro (1660-1725). Este elaborara o gênero denominado Abertura italiana, dando-lhe um movimento dançante extraído da suíte, o minueto. Por fim, os músicos da Escola de Mannheim na Alemanha, aperfeiçoaram o trabalho de Stamitz, completando a formulação do gênero sinfônico.
A música instrumental barroca não conhecia nenhum princípio de desenvolvimento temático. O tema inventado pelo compositor era colocado em determinada situação polifônica (tomado e retomado pelas várias vozes instrumentais) e em determinada situação de orquestração (tomado e retomado pelos solistas e pelos tutti). Depois de esgotadas todas as possibilidades dessa situação inicial, o movimento estava terminado. Um bom exemplo dessa construção está nos Concertos de Brandenburgo de Johann Sebastian Bach.
Carl Philipp Emanuel Bach, inicialmente criou o novo princípio de construção do primeiro movimento, o mais longo e mais importante de
uma sonata. O tema é sumariamente exposto, depois muda de tonalidade, continuando o seu desenvolvimento. Mais tarde introduziu um segundo tema, contrastante. Está criada a sonata-forma completa, que logo começa a dominar toda a música instrumental.
A sinfonia é uma sonata para orquestra. O concerto, agora muito diferente dos concertos de Bach (pai) e Vivaldi, é uma sonata para um solista com acompanhamento da orquestra.

Música na Renascença

Praetorius A partir do século XIV, a revalorização da estética da Antiguidade greco-romana, deu origem ao movimento conhecido como Renascimento. O Movimento Renascentista foi marcado pela evolução das artes, sobretudo da pintura, escultura, arquitetura, literatura e da música, com características e propostas novas. A música desta época se torna uma arte independente e não simplesmente um instrumento auxiliar das cerimônias religiosas. Além da música sacra, desenvolveram-se também, a profana e a arte do canto coral. Durante todo este período da Renascença pode-se notar, apesar de lenta, uma transformação do universo Modal para o Tonal. Uma grande renovação, também, aconteceu no tratamento da voz, na orquestração, no instrumental e na consolidação de gêneros e formas instrumentais. Foram atraídos pelas possibilidades da escrita polifônica, na qual cada voz podia ter sua própria linha melódica. Essa escrita fornecia aos compositores técnicas para efeitos de grande brilho, que eram impossíveis até então. Essa técnica foi criada e desenvolvida por Giovanni Palestrina, na Itália. Na Inglaterra, a música atinge seu apogeu e surgem grandes compositores madrigalistas que musicavam a poesia da época.
Entre suas características podemos notar:
Sob a supervisão da Igreja Católica, os padres compositores, ainda, escreviam música nos modos medievais, mas com muitas modulações, transposições, e até alterações cromáticas.
Na igreja, o Moteto vai se transformar em Cantata - litúrgico protestante, estilo dramático dialogado.
O Madrigal se transforma em uma obra dramático-musical sem teatro onde a ação é cantada. Intercala o solo falado com o recitativo cantado.
Fora da Igreja tem- se a Cantata Profana - para voz e acompanhamento instrumental. Surge a Ária - para voz  e acompanhamento instrumental.
Mais tarde e juntos, o Madrigal com a Cantata Profana e a Ária vão formar a Ópera.
O contraponto atinge um alto grau de complexidade e sofisticação, com combinações de várias vozes.
Surge a notação métrica e vão-se abandonando as teorias de ritmos medievais. É a idéia da fórmula de compasso.
As figuras musicais (notas) tornam-se brancas para as mais longas e pretas para as mais curtas.

Música Medieval

musicamedieval Na história da música ocidental européia, Música Medieval é o termo dado à música típica do período que vai do fim do império romano à, aproximadamente, metade do século XV (para fins de estudos musicais, considerando-se o ano de 1401 como o início do século XV).
O canto cristão havia se propagado do Oriente para o Ocidente e estava totalmente submisso à disciplina eclesiástica. Da Igreja do Oriente vem uma notação musical escrita com Neumas, que eram símbolos egípcios, gregos e armênios. Essa notação não era exata em relação à altura e duração das notas.
O papa Gregório Magno (540-604) foi a autoridade máxima, em sua vigência, do canto eclesiástico. Em Roma, ele fundou a Schola Cantorum e reformou a Música Sacra. Ele juntou o Antifonário (Canto Antifonal tem sua origem nos cantos Hebreus) com os Cantos Ambrosianos (cantos litúrgicos criados anteriormente pelo papa Ambrósio baseados em 4 modos gregos: ré - mi - fá - sol, modo esse chamado de Authentos) e, daí, surgiram os Cantos Gregorianos . Ao contrário do Canto Ambrosiano que continha uma variedade de ritmos, no Canto Gregoriano, o ritmo acaba se diluindo, se fundindo à palavra e as notas, então, passam a ter uma duração absolutamente igual. No Ocidente, o Canto Gregoriano passa a ser escrito com a Notação Neumática (com os Neumas). É interessante, também, notar que, já no século IX, existiram 5 escolas de Canto Litúrgico:
Bizantina - dominava o Oriente
Ambrosiana - italiana (ou Milanesa)
Galicana - francesa
Visigótica – espanhola / Mozárabe (rito praticado pelos cristãos espanhóis sob domínio árabe).
Gregoriana ou Romana - dominava o Ocidente.