quinta-feira, 24 de maio de 2012

Musicaterapia – Cantoterapia

Sagres - Cópia                              “Uma arte musical como terapia”

Os estudos na área de psicologia da música mostram que o ensino de música favorece o desenvolvimento de instrumentos básicos para o aprendizado, desenvolvimento intelectual, psicomotor, emocional e acima de tudo, da criatividade.
Os estudos na área da sociologia da música mostram que o aprendizado com música auxilia no processo de integração cultural e social e, com isto, na mediação de uma cultura para a paz.
Cria-se com a educação musical um espaço de formação de valores pessoais, sociais e de cidadania, importantes itens para o desenvolvimento da tolerância e compreensão de diferenças culturais.
Cultura e educação precisam andar juntas e não há educação sem imaginação e não há imaginação sem música. Aprendemos música não para ser um profissional de música, mas para ser um bom profissional em qualquer área e também para ser um bom cidadão no mundo.
A trimembração “CIÊNCIA, ARTE e RELIGIÃO” pode também ser compreendida como MELODIA, HARMONIA e RITMO.
A Melodia e a Ciência no Sistema Neuro-Sensorial, A Harmonia e a Arte no sistema rítmico e o Ritmo e a Religião com o metabolismo e membros inferiores do homem.
Estamos totalmente vinculados com o todo, assim como a Saúde está como resultado de uma educação integral e sadia, respeitando o desenvolvimento da criança. Com a liberdade individual deveríamos fazer um passo no processo de auto desenvolvimento e três passos na moralidade: com o pensar, no cultivo da educação; com o sentir, nas relações e no social; e no querer, expandindo para toda a humanidade, sentindo-nos unos com o universo, em pensamentos e sentimentos, porque estes são verdadeiramente atos.
Rudolf Steiner nos deixou um legado como nenhum outro: uma abordagem na educação, na medicina, na agricultura e nas artes uma prática contemplativa, que pode levar o homem ao encontro de si próprio, ao encontro de seu caminho para o autoconhecimento. Um caminho solitário, que eu acrescento, bastante conhecido pelos estudiosos da música.
Rudolf Steiner tinha consciência que a música clássica e romântica havia fechado uma época. Com o início do século 20 aprofundamos cada vez mais o elemento arquétipo musical, os elementos básicos e os fundamentos do ser Tom, dos intervalos, num movimento de ampliação dos sistemas tonais, trazendo profundidade nas vivências e na qualidade da atuação dos elementos musicais. Até culminar com a consciência, cósmica e espiritual da atuação dos tons, do canto, dos novos instrumentos que pudessem trazer estas vivências enriquecedoras no processo de individualização, contemplação e auto desenvolvimento.
Neste sentido um impulso musical com ampliação antroposófica surgiu após a morte de Rudolf Steiner, quando dezenas de músicos e compositores buscaram atingir esta meta com o Canto e a construção de instrumentos, em composições e teorias, em terapia e pedagogia, assim como também com uma música para uma cultura religiosa.
Surpreendentemente, por meio da solidão deste caminho contemplativo nós podemos desenvolver uma nova plenitude, tanto para os relacionamentos humanos como para a nossa descoberta do amor. O amor que valoriza o indivíduo, a solidão do outro, a criatividade e a liberdade.
Rudolf Steiner, que foi um contemplador moderno, com orientação científica, treinamento filosófico e experiência meditativa, mostrou que estes valores não são apenas potenciais desenvolvidos em prol do pesquisador, mas também para o desenvolvimento da sociedade. Neste legado para um caminho contemplativo ou meditativo, na ajuda para o ser humano atingir a consciência e a auto superação, atingindo o seu auto desenvolvimento e por conseqüência o desenvolvimento da humanidade, este caminho precisa de alguns requisitos para a sua entrada, como que uma preparação.
Um primeiro requisito ou virtude para se entrar neste caminho é a HUMILDADE, que acompanha o desenvolvimento moral, acompanha a devoção e o respeito. A humildade e a reverência são antídotos ao egoísmo. Steiner chama de “disposição interior” ou “atitude fundamental” que conduzirá à virtude. E esta primeira virtude ele chama de portal. Humildade que leva à reverência, não por uma pessoa, mas pelos elevados princípios, que são incompatíveis com o egotismo.
Muitos chegam ao caminho para a humildade e reverência pela via da admiração e respeito, inspirados pela grandiosidade da natureza e suas leis.
Aquilo que não amo não se revela a mim. A devoção é como luz anímica, uma luz na aura do homem. É como um gesto interno para ouvir o audível e a reverberação da Música das Esferas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Beethoven – Música de Câmara

beethovenCom base no estilo e na cronografia, é possível dividir a obra de Beethoven em três fases sem levar em conta as obras que foram escritas em Bona, entre as quais se encontram algumas, manifestamente, influenciadas por Mozart e alguns Lieder e variações para piano.
A primeira fase vai até 1802: É o período em que Beethoven assimila a linguagem do seu tempo. Foram compostas nessa fase, os seis quartetos de cordas Opus 18 e as dez primeiras sonatas para piano (até a Opus 14).
A segunda fase vai até, mais ou menos, 1816: Nela foram compostas as sonatas para piano até a Opus 90 e os Quartetos Opus 59 (Quartetos Rasumovsky), Opus 74 e Opus 95.
A terceira e última fase: Nela, a sua música se torna mais meditativa e introspectiva e contém as últimas cinco sonatas para piano, as "Variações Diabelli", os quartetos Opus 127, 130, 131, 132, 135 e a "Grosse Fugue" (Grande Fuga) para quarteto de cordas, Opus 133 (originalmente, o "finale" da Opus 130).
Situando-se em momentos cronológicos diferentes para os diferentes gêneros, esta divisão é meramente aproximada, tratando-se apenas de uma forma mais cômoda de organizar uma reflexão sobre sua música.
AS SONATAS:
Suas obras da primeira fase são as que mais claramente revelam sua dependência em relação à tradição clássica.
As três primeiras sonatas para piano Opus 2, publicadas em Viena em 1796, traduzem bem esta influência, embora, possuam quatro andamentos em vez dos três habituais do período clássico e, além disso, nas segunda e terceira sonatas o minueto é substituído pelo scherzo, prática a que Beethoven permaneceria fiel em obras posteriores.
Na Sonata Opus 7 em Mi bemol publicada em 1797, nota-se, particularmente, a característica de Beethoven pelo tema do "largo" e o "trio minore" do terceiro movimento.
A sonata Opus 10, nº 1, em Dó menor de 1798 é uma peça bastante próxima da Sonata Pathétique, Opus 13 publicada no ano seguinte. Nesta primeira fase, podemos distinguir características harmônicas que poderão ter sido sugeridas a Beethoven pelas sonatas para piano de Muzio Clemente (1752-1832) e pelas sonatas para piano de Jan Ladislav Dussek (1760-1812) compositor de origem boêmia. Um exemplo disso é a grande sonata Opus 44, "Les Adieux" em Mi bemol maior de Dussek, publicada em 1800, que poderia ter influenciado a "Sonata do Adeus" Opus 81, composta cerca de dez anos mais tarde por Beethoven. Se algumas das características estilísticas de Beethoven se devem à escrita de Clemente e de Dussek, a sua arte de desenvolver motivos e contraponto foi, sem dúvida, elaborada a partir do exemplo de Haydn. Entre o restante de sua música de câmara da primeira fase contam-se: – Três trios para piano Opus 1; – Três Sonatas para Violino Opus 12; – Duas Sonatas para violoncelo Opus 5; – Septeto em Mi para cordas e sopros Opus 20.
Das sonatas para piano da segunda fase, escritas, aproximadamente, em 1802, destacam-se a sonata em Lá bemol, Opus 26, que inclui uma marcha fúnebre e as duas sonatas Opus 27, assinaladas pela indicação "quasi una fantasia", sendo, a segunda dessas, conhecida como "Sonata ao Luar".
Ainda da segunda fase destacam-se a Opus 53 em Dó maior (Sonata Waldstein) devido ao nome do mecenas a quem é dedicada e a Opus 57, em Fá menor, chamada "Apassionata", ambas compostas em 1804.
Após cinco anos sem escrever mais sonatas, no ano de 1809, apresenta a sonata Opus 78 em fá #maior e a semiprogramática sonata Opus 81 A, denominada "Sonata do Adeus" em três movimentos: Despedida, Ausência e Regresso, inspirada na partida e regresso a Viena de um dos seus patronos, o arquiduque Rodolfo.
A sonata Opus 90 escrita em 1814 tem dois andamentos: Allegro em Mi menor numa forma sonata e Andante em Mi maior em forma de sonata-rondó.
De sua última fase estão as cinco sonatas para piano escritas entre 1816 e 1821 e as "Trinta e Três Variações sobre uma Valsa de Diabelli”, Op. 120, escritas em 1823.
OS QUARTETOS RASUMOVSK:
Dedicados ao conde Rasumovsk, esses quartetos em número de três, Opus 59, de 1806, são os primeiros a ilustrar o modo de expressão característico do compositor nessa forma musical. Nesses quartetos a "forma sonata" toma proporções inéditas, graças à multiplicidade de temas, desenvolvimentos longos e complexos e às longas codas. Essas tendências continuaram a marcar toda a segunda fase de Beethoven sendo mais radical nos quartetos e sonatas para piano do que nas sinfonias e aberturas. Nos quartetos seguintes, o Opus 74(1809) e o Opus 95 (1810) Beethoven já está em vias de consolidar suas características em relação à forma tradicional e que viriam a assinalar os últimos quartetos da terceira fase.
Entre outras obras da segunda fase, merecem referências, também, as sonatas para violino Opus 47 (Kreutizer) e Opus 96, além do trio em Si bemol Opus 97.
Escritas em 1815, as duas sonatas para violoncelo e piano Opus 102, estilisticamente, porém, pertencem à terceira fase.
Seguiram-se em 1825 e 1826 os últimos quartetos de Beethoven, que podem ser considerados como seu testamento musical.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Haydn - Música de Câmara

haydnOs Quartetos de 1769-1781
Os quartetos de cordas de Haydn por volta de 1770 bem como as suas sinfonias, ilustram a sua chegada à plena maturidade artística. Se boa parte destes primeiros quartetos, senão, mesmo, a totalidade, que em tempos lhe foram atribuídos, não são autênticos, já com os quartetos Opus 9 entramos decididamente no estilo de Haydn.O quarteto nº 4 em Ré menor revela uma atmosfera de seriedade. Neste quarteto, como em todos os outros de Opus 9 e, também ,como nos de Opus 17 e cerca da metade dos de Opus 20 e 23, ao contrario do que geralmente sucede com as sinfonias, o minueto surge antes e não depois do andamento lento. Nos quartetos Opus 17 e 20, compostos, respectivamente, em 1771 e 1772, Haydn conseguiu uma união harmoniosa de todos os elementos estilísticos e uma adaptação perfeita da forma ao conteúdo expressivo. Estas obras consolidaram de forma decisiva a fama de Haydn entre seus contemporâneos e sua posição histórica de primeiro grande mestre do quarteto de cordas clássico. Os seis quartetos Opus 33 foram escritos em 1781. Destes se destaca o de nº 3, conhecido como "Quarteto dos Pássaros" devido aos trilos que surgem no trio do minueto.
Os Quartetos de 1780
Deste período são os Opus 42 (escrito em 1785); Opus 50 (os seis quartetos Prussianos, 1787); Opus 54 e 55 (três quartetos cada um, 1788) e os seis quartetos Opus 64 (1790).
Os Últimos Quartetos
Da última fase de Haydn são os Opus 71 e 74 que incluem três quartetos cada um (escritos em 1793); o Opus 76 (seis quartetos escritos em 1797); o Opus 77, dois quartetos, sendo o segundo, provavelmente, a maior obra de Haydn neste gênero musical (1799); e o Opus 103 (em 1803), em Dó menor, em dois andamentos, incompleto.
Sonatas para Piano
Entre as sonatas do final da década de 1760 destacam-se as nº 19 em Ré maior, e nº 46. A grande sonata em Dó menor nº 20, composta em 1771 revela uma característica do chamado período Sturm und Drang de Haydn. As sonatas números 21 a 26 formam uma série de seis, escritas em 1773 e dedicadas ao príncipe Esterházy. As sonatas mais interessantes de meados e finais da década de 1770 são as de nº 32 em Si menor e a nº 34 em Mi menor. Dentre as últimas sonatas merece destaque a nº 49, composta entre 1789-1790. Do período de Londres temos três sonatas, nº 50, 51 e 52 escritas entre 1794-1795.