Musicaterapia – Cantoterapia
“Uma arte musical como terapia”
Os estudos na área de psicologia da música mostram que o ensino de música favorece o desenvolvimento de instrumentos básicos para o aprendizado, desenvolvimento intelectual, psicomotor, emocional e acima de tudo, da criatividade.
Os estudos na área da sociologia da música mostram que o aprendizado com música auxilia no processo de integração cultural e social e, com isto, na mediação de uma cultura para a paz.
Cria-se com a educação musical um espaço de formação de valores pessoais, sociais e de cidadania, importantes itens para o desenvolvimento da tolerância e compreensão de diferenças culturais.
Cultura e educação precisam andar juntas e não há educação sem imaginação e não há imaginação sem música. Aprendemos música não para ser um profissional de música, mas para ser um bom profissional em qualquer área e também para ser um bom cidadão no mundo.
A trimembração “CIÊNCIA, ARTE e RELIGIÃO” pode também ser compreendida como MELODIA, HARMONIA e RITMO.
A Melodia e a Ciência no Sistema Neuro-Sensorial, A Harmonia e a Arte no sistema rítmico e o Ritmo e a Religião com o metabolismo e membros inferiores do homem.
Estamos totalmente vinculados com o todo, assim como a Saúde está como resultado de uma educação integral e sadia, respeitando o desenvolvimento da criança. Com a liberdade individual deveríamos fazer um passo no processo de auto desenvolvimento e três passos na moralidade: com o pensar, no cultivo da educação; com o sentir, nas relações e no social; e no querer, expandindo para toda a humanidade, sentindo-nos unos com o universo, em pensamentos e sentimentos, porque estes são verdadeiramente atos.
Rudolf Steiner nos deixou um legado como nenhum outro: uma abordagem na educação, na medicina, na agricultura e nas artes uma prática contemplativa, que pode levar o homem ao encontro de si próprio, ao encontro de seu caminho para o autoconhecimento. Um caminho solitário, que eu acrescento, bastante conhecido pelos estudiosos da música.
Rudolf Steiner tinha consciência que a música clássica e romântica havia fechado uma época. Com o início do século 20 aprofundamos cada vez mais o elemento arquétipo musical, os elementos básicos e os fundamentos do ser Tom, dos intervalos, num movimento de ampliação dos sistemas tonais, trazendo profundidade nas vivências e na qualidade da atuação dos elementos musicais. Até culminar com a consciência, cósmica e espiritual da atuação dos tons, do canto, dos novos instrumentos que pudessem trazer estas vivências enriquecedoras no processo de individualização, contemplação e auto desenvolvimento.
Neste sentido um impulso musical com ampliação antroposófica surgiu após a morte de Rudolf Steiner, quando dezenas de músicos e compositores buscaram atingir esta meta com o Canto e a construção de instrumentos, em composições e teorias, em terapia e pedagogia, assim como também com uma música para uma cultura religiosa.
Surpreendentemente, por meio da solidão deste caminho contemplativo nós podemos desenvolver uma nova plenitude, tanto para os relacionamentos humanos como para a nossa descoberta do amor. O amor que valoriza o indivíduo, a solidão do outro, a criatividade e a liberdade.
Rudolf Steiner, que foi um contemplador moderno, com orientação científica, treinamento filosófico e experiência meditativa, mostrou que estes valores não são apenas potenciais desenvolvidos em prol do pesquisador, mas também para o desenvolvimento da sociedade. Neste legado para um caminho contemplativo ou meditativo, na ajuda para o ser humano atingir a consciência e a auto superação, atingindo o seu auto desenvolvimento e por conseqüência o desenvolvimento da humanidade, este caminho precisa de alguns requisitos para a sua entrada, como que uma preparação.
Um primeiro requisito ou virtude para se entrar neste caminho é a HUMILDADE, que acompanha o desenvolvimento moral, acompanha a devoção e o respeito. A humildade e a reverência são antídotos ao egoísmo. Steiner chama de “disposição interior” ou “atitude fundamental” que conduzirá à virtude. E esta primeira virtude ele chama de portal. Humildade que leva à reverência, não por uma pessoa, mas pelos elevados princípios, que são incompatíveis com o egotismo.
Muitos chegam ao caminho para a humildade e reverência pela via da admiração e respeito, inspirados pela grandiosidade da natureza e suas leis.
Aquilo que não amo não se revela a mim. A devoção é como luz anímica, uma luz na aura do homem. É como um gesto interno para ouvir o audível e a reverberação da Música das Esferas.

